terça-feira, 30 de abril de 2013

ATIVIDADE 3 - Da Educação Básica à Universidade

O texto a seguir foi retirado do Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI DA EDUCAÇÃO BÁSICA À UNIVERSIDADE O conceito de uma educação que se desenrola ao longo de toda a vida não leva a Comissão a negligenciar a importância da educação formal, em proveito da não-formal ou informal. A Comissão pensa, pelo contrário, que é no seio dos sistemas educativos que se forjam as competências e aptidões que farão com que cada um possa continuar a aprender. Longe de se oporem, educação formal e informal devem fecundar-se mutuamente. Por isso, é necessário que os sistemas educativos se adaptem a estas novas exigências: trata-se, antes de mais nada, de repensar e ligar entre si as diferentes sequências educativas, de as ordenar de maneira diferente, de organizar as transições e de diversificar os percursos educativos. Assim se escapará ao dilema que marcou profundamente as políticas da educação: selecionar multiplicando o insucesso escolar e o risco da exclusão, ou nivelar por baixo, uniformizando os cursos, em detrimento da promoção dos talentos individuais. É no seio da família mas também e mais ainda, ao nível da educação básica (que inclui em especial os ensinos pré-primário e primário) que se forjam as atitudes perante a aprendizagem que durarão ao longo de toda a vida: a chama da criatividade pode começar a brilhar ou, pelo contrário, extinguir-se; o acesso ao saber pode tornar-se, ou não, uma realidade. É então que cada um de nós adquire os instrumentos do futuro desenvolvimento das suas capacidades de raciocinar e imaginar, da capacidade de discernir, do senso das responsabilidades, é então que aprende a exercer a sua curiosidade em relação ao mundo que o rodeia. A Comissão está bem consciente das disparidades intoleráveis que subsistem entre grupos sociais, países, ou diferentes regiões do mundo: generalizar o acesso a uma educação básica de qualidade continua a ser um dos grandes desafios dos finais do século XX. É, de fato, esse o sentido do compromisso que a comunidade internacional subscreveu por ocasião da Conferência de Jomtien: porque a questão não diz respeito apenas aos países em desenvolvimento, é necessário que todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem. Este empenho deve ser renovado, prosseguindo com os esforços já empreendidos. (...) Para tentar instaurar uma sociedade em que cada um possa aprender e continue a aprender ao longo de toda a sua vida é preciso repensar as relações entre os estabelecimentos de ensino e a sociedade, assim como a sequência dos diferentes níveis de ensino. No ensino, como na vida ativa, futuramente, os percursos serão necessariamente menos lineares, com períodos de estudo alternando com períodos de trabalho. Estes avanços e recuos devem ocupar um lugar cada vez mais importante na sociedade, graças a novas formas de certificação, a uma passagem mais fácil de um tipo ou de um nível de ensino para outro, e a separação menos estritas entre educação e trabalho. O balanço dos esforços realizados no decorrer do século XX para fazer aumentar as possibilidades de educação é profundamente contrastante. O número de alunos inscritos nas escolas primárias e secundárias de todo o mundo passou de cerca de 250 milhões em 1960 para mais de um bilhão hoje em dia. Durante este mesmo período, quase triplicou o número de adultos que sabem ler e escrever, passando de cerca de um bilhão em 1960 para mais de 2,7 bilhões atualmente. Apesar disso, há ainda no mundo 885 milhões de analfabetos, atingindo o analfabetismo a seguinte proporção: em cinco mulheres duas são analfabetas e em cinco homens um é analfabeto. O acesso à educação básica, para não falar da esperança de poder completar o primeiro ciclo de escolaridade, está longe de ser generalizado: 130 milhões de crianças não tem acesso ao ensino primário e cem milhões das crianças matriculadas nas escolas não concluem os quatro anos de estudos considerados como o mínimo para não se esquecer o que se aprendeu, por exemplo, a leitura e a escrita. Embora tenha diminuído a diferença entre os dois sexos, continua ainda escandalosamente elevada, e isto apesar das provas irrefutáveis das vantagens que a educação das jovens e das mulheres traz à sociedade no seu conjunto. Atingir os que continuam excluídos da educação não exige apenas o desenvolvimento dos sistemas educativos existentes; é necessário, também, conceber e aperfeiçoar modelos e sistemas novos destinados expressamente a este ou àquele grupo, no quadro de um esforço coordenado que tenha em vista dar a cada criança e adulto uma educação básica pertinente e de qualidade. A educação básica para as crianças pode ser definida como uma educação inicial (formal e não-formal) que vai, em princípio, desde cerca de três anos de idade até os doze, ou menos um pouco. A educação básica é um indispensável "passaporte" para a vida" que faz com que os que dela se beneficiam possam escolher o que pretendem fazer, possam participar na construção do futuro coletivo e continuar a aprender. A educação básica é essencial se quisermos lutar com êxito contra as dificuldades quer entre sexos, quer no interior dos países ou entre eles. É a primeira etapa a ultrapassar para atenuar as enormes disparidades que afligem muitos grupos humanos: mulheres, populações rurais, pobres das cidades, minorias étnicas marginalizadas e milhões de crianças não escolarizadas que trabalham. extraído do livro Educação - Um tesouro a descobrir - 7 ed- São Paulo: Cortez; Brasília, DF; MEC: UNESCO, 2002. "Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI" - Jacques Delors

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